Prelúdio Incandescente

Julho 25, 2007

Era uma vez, daquelas raras vezes que não se contam nem se inventam. Uma daquelas “vezes” que se gosta de recordar lentamente, saboreando cada momento revivido pela imaginação e pela silhueta de um momento de eterna emoção. Ficou para sempre marcada no meu coração. Nunca irei esquecer esse dia que parece que nunca vivi. Um sonho transtornado, uma respiração ofegante, um acordar transpirado. O arder por dentro de um Amor que existe apenas na imaginação fundada em longos suspiros, eternas pausas de pensamento. Singelos e simples complexos momentos em que o Universo pára e nós somos projectados em toda a sua extensão à velocidade do pensamento.
Fica para trás o Universo menos dois. Fica para trás o ruído estático e descomedido da respiração que acelera e tenta acompanhar a razão pela qual o coração bate, explode, rebenta dentro do meu peito.
A razão que me controla e me faz suspirar “ah” esquentado e mover em direcção á melodia do teu olhar. A vontade – necessidade – de alcançar o centro do Universo e tocar
o teu rosto
acariciar.
Sentir-te a dançar suavemente nas minhas mãos – electrificar
A energia a fluir. Sentir apenas mais o aproximar e o ar a faltar. O último cruzar de olhar. O parar de sentir. A pausa antes de rebentar.
O começar a beijar.
Ter em um único ponto, um turbilhão de sentimentos, cento e cinquenta momentos.
Sentir a sobrecarga de emoção corpo a fraquejar, as pernas a ceder. Deslizar a mão, desenhar-te em carícias, estimular a imaginação, apoiar o meu braço na tua cintura.
Partilhar a abundância de ternura. Chegar mais perto ainda para sentir o teu coração a bater loucamente contra o meu no mesmo compasso descompassado, com o ritmo desacertado por um incêndio desejo.
Sentir o teu cabelo a fluir na mão que descansa movimentada no teu pescoço nu. Afasta-la e descobrir mais para beijar. Fugir para respirar. Sentir saudades e voltar. Continuar até mais não se aguentar. Até que começar a sentir o ar espesso que nos separa. Combater para o vencer. Um a um, numa nervosa sucessão, desapertar os botões da camisa para que possa tocar, ouvir, sentir, beijar. A batida do teu coração. Num beijo arrastado peito acima, consagrar a descoberta. Encarar-te de frente. Um beijo diferente. Sentir-me mais perto de ti. As tuas mãos na minha cintura. Agarras na minha camisola e puxas para cimas levemente. Sinto os teus lábios a seguir as tuas mãos, descarregando em mim calor e electricidade. Com os braços no ar, volto a encontrar o teu olhar. Um momento antes de ser levado a beijar-te, tocar-te. Acariciar as tuas costas e sentir as tuas mãos a percorrerem os meus ombros, os meus braços que te embraçam. Sentir então, por fim, o bater de dois corações – um. Sem artifícios ou interrupções. O fluxo de sensações –

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